quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E você, o que está lendo?

“Que tola!”, pensei, irritado com a acolhida glacial que ela me fizera. Achava uma espécie de áspera satisfação em comprovar sua completa incompreensão de Maeterlinck. “E é por uma mulher dessas que todas as manhãs faço tantos quilômetros! Sou até bom demais! Agora sou eu que não quero saber dela.” Tais as palavras que eu dizia; eram o contrário do meu pensamento; eram puras palavras de conversação, como as dizemos nesses momentos em que, muito agitados para ficar a sós conosco mesmos, sentimos necessidade, na falta de outro interlocutor, de conversar conosco, sem sinceridade, como um estranho.


Marcel Proust, em 'O Caminho das Guermantes'.


P.S: Alguém ainda vai me pedir pra ocupar a cabeça lendo, pra esquecer dela? rs. Entendam, ela está nos livros, nos discos e onde eu menos possa esperar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sobre hoje as 19.




Se descrever sensações fosse minha especialidade, eu agora, já estaria com pelo menos 10 páginas nas mãos. A mistura de sensações e até a de sentidos, vêm me causando vertigens desde o início do dia.
Ansiedade é o nome dos cafés de hoje, que, aliás, eu perdi a conta de quantos foram.
São 18:30 ainda, faltam trinta minutos pra que Ela chegue e eu, novamente, me perca entre seus olhos; pra que eu não mais pense em "não-verbos", sim, por que sempre que Ela chega, começo a pensar em fazer, ir, ser, conhecer, realizar, sonhar, ouvir, amar. Diferente de quando ela tá "pras bandas de lá", que eu nem mesmo sei onde fica.
Aqui é até bonito, eu gosto daqui. Ambiente agradável, música boa, frequentadores calmos e um silêncio inofensivo.
Ela chegou.
Eu respiro fundo tentando não-entender.
Eu mantenho meus olhos fixos nos seus, pra tentar enxergar sua alma.
Eu escuto a narração de uma vida inteira, de um mês longe, girando em torno de amizade, sexo e Amor.
Eu tento ganha-la de um jeito, teoricamente, fácil. Não dá. Aliás, nunca deu, né? Se tivesse sido fácil, talvez, hoje em dia eu já teria conseguido nãopensarmaisnela.
Eu faço perguntas das quais eu sei a resposta. Só pergunto pra saber se Ela também sabe.
Eu percebo que a coragem de "enfrentar todo o mundo" é sua, e não minha.
Eu passo a não saber, de novo, o que vai acontecer amanhã.
E ao mesmo tempo, a ter cada vez mais certeza de que só enquanto eu respirar vou me lembrar de você.

Mas o caso é que o verbo é outro. Eu quero estar com você e não lembrar de você.
Eu quero acordar às 6:00 da manhã, com a alma amassada da cama e um sorriso de pôr-do-sol, por que afinal, se eu acordo com você, o mundo acorda cantando.


(...) Eu sigo seus passos a caminho do meu coração.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sobre amanhã.

Eu vou apertar mais ainda o dia, e ele vai ficar que nem meu coração, apertado e pulsando mais rápido, a cada hora que passa.
Vou pegar os pincéis, os desenhos e uma música.
Tô indo sem armas, até por que, a verdade é que a única lembrança que tenho hoje, é a de um abraço embreagado, dizendo:"- Não é sempre que eu vou falar, mas Eu te amo."
E juro que vai dar tempo agarrar suas mãos com força e te olhar nos olhos, antes que qualquer outra coisa nos tire a atenção.
Eu quero te ver de perto, quero dizer que o nosso Amor deu certo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Eu hoje comprei pincéis.

Lembrei das cores que tinham sua vida, e seu quarto também. Ele deveria ter ficado lilás, não é isso? Não deu tempo. Do mesmo jeito que não deu tempo de passar no seu trabalho hoje e perguntar se você queria ir pra Lua comigo.
Agora eu lembrei da noite, do pequeno torpedo que tu mandastes: "A Dona Lua. Atenciosamente, a Dona do Mundo, o que inclui seu coração."
Uma lembrança puxa outra, uma palavra puxa outra, assim como um abraço puxa um beijo, tudo tá ligado, sem deixar que nada me faça esquecer de lembrar todo dia de nós.
Enfim, comprei pincéis para continuar fazendo desenhos e colando nos teus. Quando você vier, traga tintas verdes e roxas, tá? Traga também sua alma de volta e a metade do meu coração que ficou com você e não bata na porta, você sabe que ela tá aberta. Se for tarde, quando você chegar, não me acorde, dorme junto comigo e acorda com as borboletas mexendo nos teus e nos meus cabelos.
E que ninguém tente ousar entender. Intimidades, brincadeiras, só a gente entende.


Em resumo e em música: Peito Aberto na voz da Paula Toller.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Por um segundo, mais feliz.

Algumas linhas, palavras notoriamente fortes e gordas, ao meio dia.
Depois um silêncio enlouquecedor e, claro, agressivo como sempre.
Esquisito esse silêncio aqui. Meu sistema de som é o único que não pára um só instante durante o dia todo e de repente, calou.
Eu, por mim, ia embora agora. Pedia meu Café com Nutella e pronto, ficava entre cafés, rabiscos diários com um mesmo tema, cores e amores.
Oswaldo me visitou essa manhã e meu quarto ficou cheio de você. Todas as lembranças que flutuam lá camufladas, se fizeram verdes novamente e meu dia começou com você, mesmo que de longe.

(...)O nosso amor não vai olhar para trás,desencantar nem ser tema de livro. A vida inteira eu quis um verso simples, pra transformar o que eu digo.Rimas fáceis, calafrios, fura o dedo, faz um pacto comigo? Por um segundo teu no meu...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Continua sendo.

Tudo do mesmo tamanho, com a mesma cor, o mesmo jeito tolo,lindo e leve de viver, aquele jeito torto, que é quase um rebolado meio desajeitado, de andar. Tudo, meus amigos, tudo igual!
É como se tivesse continuado parada ali, naquele mesmo lugar onde tudo começou. Ainda que eu saiba, talvez melhor do que ninguém, que ela não pára por nada e que as borboletas agora nascem de outro lugar, o céu tem outra cor, seus rabiscos outros pensamentos e seu coração outro dono.
Mas o caso é que hoje eu vi.
Do mesmo jeito, no mesmo lugar, na mesma hora, com os mesmos gestos, o mesmo estereótipo de alguém, terrivelmente, livre.
Distâncias minimamente irreversíveis continuam a nos separar, agora, geograficamente.



(...)Que eu estava lendo, só prá saber o que você achou dos versos que eu fiz..

terça-feira, 3 de novembro de 2009

É doce também, meus caros...

Em Literatura eles chamariam de Epifania, uma revelação inesperada, motivada por um fato corriqueiro... E é exatamente isso!
O tal fato, já nem vem ao caso, depois dessa sensação de sorrir como quem acorda vendo borboletas na beira da praia.
Descobri que Liberdade é doce também, e que não precisa ter forma de condenação ou perversão.
E que continue sendo doce, até os vendavais voltarem ao meu coração, até que o Carnaval seja novamente diário, até o dia em que Deus parar de me sacanear e mostrar o "acorde perfeito" para as minhas músicas e rima rica das minhas poesias, até que alguém consiga percorrer por inteiro o arco-íris que guardo comigo.
Mas por hoje, só por hoje, se Liberdade tivesse cor, seria azul. Se fosse música, hoje, seria Shimbalaiê da Maria Gadu. Se tivesse nome, hoje, só hoje... Seria o meu!