quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E você, o que está lendo?

“Que tola!”, pensei, irritado com a acolhida glacial que ela me fizera. Achava uma espécie de áspera satisfação em comprovar sua completa incompreensão de Maeterlinck. “E é por uma mulher dessas que todas as manhãs faço tantos quilômetros! Sou até bom demais! Agora sou eu que não quero saber dela.” Tais as palavras que eu dizia; eram o contrário do meu pensamento; eram puras palavras de conversação, como as dizemos nesses momentos em que, muito agitados para ficar a sós conosco mesmos, sentimos necessidade, na falta de outro interlocutor, de conversar conosco, sem sinceridade, como um estranho.


Marcel Proust, em 'O Caminho das Guermantes'.


P.S: Alguém ainda vai me pedir pra ocupar a cabeça lendo, pra esquecer dela? rs. Entendam, ela está nos livros, nos discos e onde eu menos possa esperar.

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