E eu sei que deve tá tudo guardado, ali na terceira gaveta, da direita pra esquerda, do seu armário, junto com as lembranças de uma outra vida que tivemos, lembranças de outras pessoas que fomos (ou que somos?).
Ontem, aos seus olhos, quem fez interpretou a insensível fui Eu. Coisa que eu nunca fiz, em toda a minha curta existência. E eu sei que, no fundo, você sabe disso. Você me conhece, você sabe que eu não sou difícil de ler.
Quantas vezes eu te pedi pra voltar? Quantas vezes músicas eu já ouvi por voce? Quantos livros eu li, tentando te colocar de lado, e você personagem principal que é, aparecia no meio da trama?
E o mais desesperador de tudo isso, é que eu não me arrependo de nada.
Eu falei em Lispector também, ontem. Lispector e sua complexidade tão encantadora.
Eu continuo me emocionando com o que há de mais bobo, o de mais simples. Meu coração continua vulnerável aos seus carinhos. A vitrine de doces, continua doce. Meu quarto continua cheio de você. No começo de todos os meus dias, eu levanto cedo, pensando que qualquer dia desses a gente volta a acordar com o mundo cantando, com a alma amassada da cama e com o Amor saindo pelos poros.
Quando eu lembro desses dias, tudo fica verde.
Eu continuo a mesma criança de 17 anos que caiu de mal jeito na sua vida confusa, só que agora com 18 anos e tentando consertar esse "mal-jeito". Se fosse o Oswaldo cantando, ele diria: Eu preciso é te mostrar que eu ainda sou o mesmo menino que vive a sonhar e fez do som da tua risada um hino.
O problema são meus olhos. Meus olhos que, de repente, enxergaram que você é de verdade e tão decepcionante como qualquer pessoa comum. Como eu também sou.
Em música hoje somos Conversa de Botas Batidas, na voz do Marcelo Camelo e o Los Hermanos, que você nem gosta.
Aline Marjorie.
07 de Dezembro de 2009.
07 de Dezembro de 2009.
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